Calço-me para iniciar a caminhada Desconfortável e pouca roupa menos que nada Descalço-me em arrepio Solto a roupa que nada já era Mais devagar com que me vesti Arrefeço no entretanto No desejo que não é meu Termina e volto Tenho dinheiro para uma sopa E a Lua volta a iluminar-me Calcorreio de novo a calçada E para nova já não caminho Ora desprezada Ora tão apreciada Descalço-me de novo E solto a roupa, em novo arrepio Mais um desejo que satisfaço O meu é a sopa para amanhã
Acordei de madrugada do doce entorpecimento do sonho era ela quem me pressionava talvez fossem três ou quatro horas não sei bem, de tão apegado que estava gritava ela apressada para sair da sentença da opressão em que meu corpo a cingia querendo regresar ao sonho acedi, de imediato, satisfazer seu desejo de a libertar desse julgo opressor na verdade, sem dificuldade minha quando ela se soltou também eu me libertei soltando um sustenido e longo som de alívio voltei a adormecer
Maior parte das vezes que escrevo uns versos e, passado um tempo significativo, releio o que foi escrito, recordo o sentimento que esteve associado a esse impeto de ter expresso tais palavras. Outras alturas é como se estivesse a ler pela primeira vez, identificando, provavelmente o sentimento que desperta em mim no momento em que leio tais versos. É uma descoberta, talvez.
Os versos que hoje aqui transcrevo foram, com alguma dificuldade, situados no momento e sentimentos com que foram escritos, aliás, algo difícil acontecer em mim, até com alguma dúvida se os mesmos foram escritos por mim. Esta última dúvida levou-me a efectuar uma pesquisa na web para validar que não seriam plágio, pertencentes um outro autor. Desfeita esta última desconfiança, e indo ao que importa, os sentimentos que foram despertados, os mesmos foram uma redescoberta, o desejo pela paz, pela amizade.
Os versos:
As espadas que sejam rosas, lírios e jasmins que sejam palavras de paixão, sem ódio jardins coloridos de amizades verdadeiras canteiros regados de beijos e braços