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Nuno Laginhas - Oficial

O Sentido Interior consegue em cada poema, de uma forma dilacerante, transmitir sentimentos de conflito, dúvida e incerteza.

15.11.24

O Caminho para me Alimentar


Nuno Laginhas

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Calço-me para iniciar a caminhada
Desconfortável e pouca roupa menos que nada
Descalço-me em arrepio
Solto a roupa que nada já era
Mais devagar com que me vesti
Arrefeço no entretanto
No desejo que não é meu
Termina e volto
Tenho dinheiro para uma sopa
E a Lua volta a iluminar-me
Calcorreio de novo a calçada
E para nova já não caminho
Ora desprezada
Ora tão apreciada
Descalço-me de novo
E solto a roupa, em novo arrepio
Mais um desejo que satisfaço
O meu é a sopa para amanhã



13.11.24

[Sem Título]


Nuno Laginhas

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Acordei de madrugada
do doce entorpecimento do sonho

era ela quem me pressionava
talvez fossem três ou quatro horas
não sei bem, de tão apegado que estava

gritava ela apressada para sair
da sentença da opressão
em que meu corpo a cingia
querendo regresar ao sonho
acedi, de imediato, satisfazer seu desejo

de a libertar desse julgo opressor
na verdade, sem dificuldade minha
quando ela se soltou
também eu me libertei
soltando um sustenido e longo
som de alívio
voltei a adormecer
11.11.24

O Escrito Passado na Chegada do Futuro


Nuno Laginhas

Maior parte das vezes que escrevo uns versos e, passado um tempo significativo, releio o que foi escrito, recordo o sentimento que esteve associado a esse impeto de ter expresso tais palavras. Outras alturas é como se estivesse a ler pela primeira vez, identificando, provavelmente o sentimento que desperta em mim no momento em que leio tais versos. É uma descoberta, talvez.

Os versos que hoje aqui transcrevo foram, com alguma dificuldade, situados no momento e sentimentos com que foram escritos, aliás, algo difícil acontecer em mim, até com alguma dúvida se os mesmos foram escritos por mim. Esta última dúvida levou-me a efectuar uma pesquisa na web para validar que não seriam plágio, pertencentes um outro autor. Desfeita esta última desconfiança, e indo ao que importa, os sentimentos que foram despertados, os mesmos foram uma redescoberta, o desejo pela paz, pela amizade.

Os versos: 

As espadas que sejam rosas, lírios e jasmins
que sejam palavras de paixão, sem ódio
jardins coloridos de amizades verdadeiras
canteiros regados de beijos e braços