Leio o quê? Com vagar porquê? Leio o quê? Essa letra que não se vê Leio o quê? Sem saber porquê Uma só pista cega Que não me sossega E que mais parece uma prova cega Leio o quê? Diz-me tu mais uma vez É só repetir uma outravez Esse quê que não vê Só se para entender talvez De heroismo amado De texto falado Não tem qualquer letra que se lê E ainda não sei bem porquê É extraordinário Acabar procurando num dicionário Diz-me só porquê Repetir a letra que não se vê Estou de peito aberto Sem o sol por perto Num claro aperto Sem porquê Como queres que eu lê Se um cego não vê E eu sem entender porquê Ver atrocidade guerrilha e moral mortandade
O manto branco de um nevoeiro desce pelas encostas de granito amargurado. Esse granito sofrido, abandonado sobre dias de chuva e frio Onde o silêncio da neve impera no cheiro a terra molhada Essa neve que não pergunta responde ao granito em silêncio, sem dor E a chuva, fina e persistente, parceira da neve desenhando rios invisíveis na pele da montanha Encobre a pele em pelo encaracolado, branco e sossegado Como o abrigo dos pastores que o tempo esqueceu de avisar Esqueceu o tempo de aquecer o pastor de sentir a dor Pois na Serra o frio é um abraço que imobiliza a sina do caminho Como a sina do granito, que só, não chora, não foge, não grita E assim se tornam um só, em abrigo gerado de um abraço de uma manta que diziam de Papa talvez da Serra