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Nuno Laginhas - Oficial

O Sentido Interior consegue em cada poema, de uma forma dilacerante, transmitir sentimentos de conflito, dúvida e incerteza.

13.01.26

O Quê


Nuno Laginhas
Leio o quê?
Com vagar porquê?
Leio o quê?
Essa letra que não se vê
Leio o quê?
Sem saber porquê
Uma só pista cega
Que não me sossega
E que mais parece uma prova cega
Leio o quê?
Diz-me tu mais uma vez
É só repetir uma outravez
Esse quê que não vê
Só se para entender talvez
De heroismo amado
De texto falado 
Não tem qualquer letra que se lê
E ainda não sei bem porquê
É extraordinário 
Acabar procurando num dicionário 
Diz-me só porquê 
Repetir a letra que não se vê 
Estou de peito aberto 
Sem o sol por perto 
Num claro aperto 
Sem porquê 
Como queres que eu lê 
Se um cego não vê 
E eu sem entender porquê 
Ver atrocidade
guerrilha e moral mortandade

 

 

 

08.01.26

Livro para Escrever


Nuno Laginhas
1000072812.jpgTenho começar a escrever um livro
em cada noite antes de me deitar,
um livro sem versos sofrido
e com muita estrofe em tom divertido

Assim enquanto dormir
irei sonhar
que passarei o tempo a viajar
02.01.26

O Tempo do Frio Esquecido


Nuno Laginhas

O manto branco de um nevoeiro
desce pelas encostas de granito amargurado.
Esse granito sofrido, abandonado sobre dias de chuva e frio
Onde o silêncio da neve impera no cheiro a terra molhada
Essa neve que não pergunta
responde ao granito em silêncio, sem dor
E a chuva, fina e persistente, parceira da neve
desenhando rios invisíveis na pele da montanha
Encobre a pele em pelo encaracolado, branco e sossegado
Como o abrigo dos pastores
que o tempo esqueceu de avisar
Esqueceu o tempo de aquecer o pastor
de sentir a dor
Pois na Serra o frio é um abraço
que imobiliza a sina do caminho
Como a sina do granito, que só, não chora, não foge, não grita
E assim se tornam um só, em abrigo gerado
de um abraço de uma manta
que diziam de Papa talvez da Serra