15.11.24
O Caminho para me Alimentar
Nuno Laginhas

Calço-me para iniciar a caminhada
Desconfortável e pouca roupa menos que nada
Descalço-me em arrepio
Solto a roupa que nada já era
Mais devagar com que me vesti
Arrefeço no entretanto
No desejo que não é meu
Termina e volto
Tenho dinheiro para uma sopa
E a Lua volta a iluminar-me
Calcorreio de novo a calçada
E para nova já não caminho
Ora desprezada
Ora tão apreciada
Descalço-me de novo
E solto a roupa, em novo arrepio
Mais um desejo que satisfaço
O meu é a sopa para amanhã