O Tempo do Frio Esquecido
O manto branco de um nevoeiro
desce pelas encostas de granito amargurado.
Esse granito sofrido, abandonado sobre dias de chuva e frio
Onde o silêncio da neve impera no cheiro a terra molhada
Essa neve que não pergunta
responde ao granito em silêncio, sem dor
E a chuva, fina e persistente, parceira da neve
desenhando rios invisíveis na pele da montanha
Encobre a pele em pelo encaracolado, branco e sossegado
Como o abrigo dos pastores
que o tempo esqueceu de avisar
Esqueceu o tempo de aquecer o pastor
de sentir a dor
Pois na Serra o frio é um abraço
que imobiliza a sina do caminho
Como a sina do granito, que só, não chora, não foge, não grita
E assim se tornam um só, em abrigo gerado
de um abraço de uma manta
que diziam de Papa talvez da Serra