Quando Chove os Bancos de Jardim ficam Molhados

Hoje não saio. Fico à hora de almoço enclausurado entre uma garfada, um dedo de conversa com o colega que me acompanha à mesa e as paredes do refeitório. Quando chove os bancos do jardim ficam molhados, algo que não devia de acontecer.
As árvores não são suficientes para os resguardar, principalmente no Outono. As gotas da chuva são copiosamente irriquietas e esquivas. Se chove sobre as árvores, as gotas cairão, umas no imediato, outras mais preguiçosas, mas não deixam de serem irriquietas, sobre o banco de jardim.
Isto acontece, mas não me agrada, ver jardins no seu murmúrio próprio da solidão, com os seus bancos a ficarem molhados. Não me agrada ficar retido no ruído do almoço a pensar que bom seria sentar-me num banco de jardim e debruçar-me em linhas de um livro sob a observação das árvores ou textualizar, em surdina, com as árvores.
Não é que não me agrade a chuva, adoro. Quando chove impera um certo silêncio que retira os transeuntes das suas apressadas caminhadas. Eu aproveito, com serenidade, caminhar e ouvir as gotas a caírem irriquietas, a juntarem-se a mim, sobre os meus ombros. Só não gosto do banco de jardim que fica molhado.
